Meus olhos percorrem o novo e te encontro solto no cotidiano que me embala. Olho-te de longe pra não sentir a velha sensação de segurança. Nas paredes brancas, sonho quadros que traduzam a alegria e a angústia que me compõem a vida. Viajo na possibilidade de expressar a inquietude que sempre me habitou, disfarçada de um tédio que quase me matou. Hoje estou feliz por me revelar tão múltipla, tão imprevisível pra mim, ainda que pareça a mesma para os outros. Os movimentos da alma são sutis e definitivos. Os movimentos da alma são infinitamente definitivos. Definitivamente infinitos. Sou infinita, mas um fio de luz me conduz. Já sei também das minhas escuridões provisórias, antes de encontrar um enorme clarão que me revela maior e mais inteira. As assombrações andam meio frustradas por eu não lhes dar mais a atenção de antes. Espero quietinha, ouvindo o meu coração, todas as noites amanhecerem. Osol é certo. É tão bom saber disso! O dia sempre amanhece. Tenho sonhado os meus dias e eles têm nascido mais claros e fortes. Não os entrego mais aos outros. Produzo os meus dias junto com Deus. Meu corpo se dilata um pouco mais, à medida que sonho. Folga suas grades e a alma invade outros espaços necessários. Tenho que olhar o mundo com um olhar novo. Tenho que olhar-te com um olhar despido do que foste antes. É imprescindível libertar a todos da velhice entediante que os prendi. Só assim serei livre pra nascer de novo e acordar o sol que há em mim.
Fatos e fatos se sobrepondo à alma. Faltava-me a calma pra traduzir o gozo e a dor. Faltava a cor certa pra vestir-me depois de ter misturado as cores que achava serem as preferidas. A vida se modificava numa aparência que se mostrava repetida ao externo. As distorções, pelas quais passava o meu mundo interno na tentativa de buscar uma forma, apenas os meus olhos viam. Meus olhos derretiam anos de crenças, de paradigmas, de enigmas que aos poucos foram se tornando simples charadas que eu respondia com uma caminhada lenta, constante e definitiva. Sou uma caminhada sem fim, tentando chegar ao infinito de mim. Só a mim pertencem os louros, os fracassos, os equívocos, os encontros e desencontros... E a Deus! Mas nem sempre eu o ouvi falando dentro de mim. As minhas várias vozes abafavam a sua canção de paz e luz. Às minhas escolhas infelizes ele acrescentou um mundo de lições inesquecíveis que me fizeram consolar-me com os enganos cometidos. Tudo valeu a pena. Mas o melhor de tudo é permanecer caminhando, contemplando, refazendo, descobrindo, permitindo o movimento da vida e aprendendo a dançar com ela. A vida é uma linda e exótica bailarina! E eu quero continuar aprendendo novos passos.
Parece que tudo se esvai, Mas não para o nada, Não para sempre. Uma pequena morte se instala E, com o mesmo desespero de quem “para sempre” parte, Vou-me de mim, desesperada e triste, Por não poder ficar, Por não conseguir fixar-me Numa vida única, Num repetido viver. Mas quando vou, só eu percebo-me partindo. Para todos eu estou, eu fico... E, no entanto, Debato-me na agonia das últimas horas Que me prendem ao que, por total impossibilidade de permanecer, eu abandono. E assim, em traumáticas despedidas, Vou-me distanciando de papéis, idéias pré-concebidas, sentimentos equivocados, Vidas e vidas que vivi... E, nessa angústia, Parece que tudo se vai, Mas eu renasço e vou reconhecendo A eternidade que escondo, E vou me confrontando com a parte permanente de tudo, Que na verdade é a mais flexível, maleável e bela. É a parte que estrutura e que restaura, Que modela e desmonta e funde, É a parte que desvia pelas linhas retas É a parte que por linhas tortas me conduz. As últimas horas, como as primeiras, sempre são envolvidas pela luz.
Como é esse Deus que te fez? Por que ele não te fez de vez Do tamanho da ternura que há em ti? Como é teu país? Como é que consegues nos fazer feliz Assim tão facilmente? Por que não existe na gente Essa magia de poder tornar diferente Tudo o que está triste? Teu Deus é um mágico Que estica o amor feito elástico E abriga toda gente? De onde vieste? Que cheiro é esse que trouxeste Que incendeia a casa de perfume Que tonteia a alma de ilusões? No teu mundinho os corações batem mais forte? Não temem a morte? Não têm sofrer? Que mistério tens Que me faz correr como criança E esquecer a idade, Que me faz ter noção do que seja felicidade? Como é esse Deus que te fez? Por que não existe na gente? Porque sendo tão grandes Não conseguimos ter tanta ternura Pra abrigar duros instantes E tu tão pequenino Contém tanta ternura Pra abrigar gente grande? Como é que consegues nos fazer feliz Assim tão facilmente? Ensina pra gente essa magia E eu te conto esse segredo: Nós, “gente grande” somos tão carentes!
Há dias em que quero receitas. Há outros em que as rasgo. Quero bússolas, e, logo depois, desejo ser eu mesma a minha própria direção. Pego carona nas asas dos anjos, mas preciso da terra, dos seus atalhos e desvios de perdições. Preciso perder-me, mesmo ressentindo angústias por assim estar, pois sei que é um prenúncio de grandes achados. Quando perco o chão sei que estou voando, mas não faço idéia da hora e do lugar do pouso. É sempre uma surpresa a paisagem que vou encontrar. Com todos os medos, como se fosse a primeira vez que os sinto, lá vou eu no avião divino, sentindo partir-me em estilhaços que darão lugar a uma nova pessoa, ou à pessoa que realmente sou e que um dia se revelará por inteiro.
Há dias em que quero colo. Há outros em que não há o que possa me abrigar do frio e da dor da existência. Tenho que descobrir-me colo protetor de mim, acolher-me e acalmar-me das ansiedades do viver. Minhas questões a mim pertencem e ninguém as tem que entender. Não há quem me complete. As pessoas não são pedaços que me faltam. São completas em si mesmas, com suas peças de quebra cabeças dançando em torno delas com a música da teia da vida, construída por cada uma ao seu próprio modo. Deixei também de ser pedaço; na verdade, de me portar como tal, já que não o sou verdadeiramente. Não sou um pedaço que falta em alguém. Não ocupo esse lugar na existência. Ocupo o meu lugar e sou inteira. Pulo, danço e brigo para alcançar as peças do meu quebra cabeça.
Mas há dias em que eu quero um olhar que me reconheça e que eu reconheça. Um silêncio cúmplice de quem caminha sabendo da complexidade simples desse caminhar. Uma sensação divina a contornar o humano cotidiano. Uma percepção amorosa do exercício sagrado de viver.
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Mais uma vez agradeço as visitas e o carinho, desejando a todos os amigos que a paz e a alegria permeiem sempre as suas vidas. Estou sem net em casa, por enquanto, e, por isso o tempo para visitá-los se tornou difícil, mas o coração continua conectado. Grande abraço. Aparecerei sempre que puder.
Derretida. Assim que estou. Desmanchando-me e misturando-me com as coisas que me cercam. Desordenadamente, vou espalhando-me e perdendo as fronteiras que me dão segurança. Ultrapasso-me e temo perder-me e não mais voltar. Sou sapatos, sou rastros, sou caixas, sacolas, livros e roupas espalhadas pelo espaço. Nada faço pra esconder esse emaranhado que agora sou. Sinto as dores das coisas: a dor da porta batida, do livro jogado de qualquer jeito, dos talheres... Os barulhos falam e doem. Toco nas coisas quase sem tocar para que não se assustem; para que eu não me assuste. Tudo poderia ser mais doce e silencioso. Mas não é. Espero forças pra erguer-me num movimento mais normal; um movimento de gente que segue a rotina cegamente, sem perguntar o porquê de ser assim. Botaram porquês demais em mim. Fiquei perdida nas perguntas que fiz e nas respostas que busquei até hoje. Quero calar-me e viver apenas. Preciso urgentemente descobrir o que é viver pra mim. Andei desvivendo a minha vida. Quero-a de volta, mas agora sinto-me fraca pra buscá-la. O desafio agora é transformar esse cenário de transição em algo mais definitivo. Preciso definir para definir-me. Preciso me inserir num tempo real pra não me perder em labirintos meus.
Agora é noite. Dormir é sempre uma saída, um consolo, uma pequena morte. É sempre uma esperança o acordar, o renascer do dia, o meu renascer. Tenho esperança de que amanhã o sol há de nascer dentro de mim.
Agradeço a todos que me visitaram e que, por força das circunstâncias, não pude ainda retribuir a visita. Aos poucos aparecerei em "suas casas" e, com imenso prazer, retribuirei a visita. Muita paz nos seus corações.
Ele era claro, preciso, objetivo. Seu quadro era o chão; O giz – seu próprio dedo. Usava como ilustração o que mais perto estava E à vista de todos: Como uma árvore, a natureza, uma criança. Tinha apenas duas turmas de alunos: Os doze e a multidão. Sua sala de aula tinha por teto o céu E por banco a própria relava. Dava, às vezes, aulas particulares, como à Samaritana. Aulas audiovisuais, enquanto caminhava, Aulas diurnas, noturnas... como a Nicodemos. Ensinava no mar, em terra firme, No monte ou em casa, No templo ou caminhando. O esboço de suas aulas estava em sua própria mente; Preparava-o, preparando-se em Oração ao Pai. Incansável MESTRE, Seu tempo de ensinar era SEMPRE.
(Desconheço a autoria)
Sempre lamento o fato de que estabeleçamos apenas poucas datas para vivenciarmos a alegria da partilha, do encontro; apenas alguns poucos dias para expressarmos os nossos sentimentos pelas pessoas que nos são caras; apenas uns pocos instantes para abraçarmos e sermos abraçados, para permitir que sejamos o que deveríamos ser sempre, mas que os medos e couraças que criamos nos impedem de viver essa grandeza. Mas também sempre tenho a esperança de que, através de um desses momentos em que nos damos licença para sermos mais nós mesmos, alguém descubra que o tempo somos nós que fazemos, que o Cristo pode nascer dentro de nós todos os dias das nossas vidas, nos dando força para "vencer o mundo" , nos estimulando a "amarmos uns aos outros" e "fazer ao próximo tudo oque gostaríamos que ele nos fizesse". Tenho em meu coração sempre a esperança de que algumas pessoas são magicamente acordadas na noite de Natal e descobrem, de repente que podem "perdoar setenta vezes sete vezes", e que tal façanha deixará liberto o seu coração de todos os males. Essas pessoas serão os multiplicadores da Boa Nova e ajudarão a fazer de 2007 um ano realmente novo. Essas pessoas podem ser vocês que agora lêem esse post. Eu assim desejo: que todos nós possamos abrigar em nosso coração o Cristo e imprimamaos uma nova cor ao mundo tão carente de amor. Feliz Natal a todos. Um Ano Novo abençoado e muito obrigada por fazerem a minha vida mais bonita, mais rica, mais feliz com suas presenças iluminadas.
Ninguém esperava nada... Ela, da janela, contemplava a madrugada. Ele dormia com os bichos e roncava... Só roncava... Ela sonhava...(para os outros) Porque vivia a sua realidade plena. Era tão pequena que cabia nas estrelas E tão grande que enfeitava a madrugada. Todos dormiam E ela acordava a cada minuto. Construía a sua manta protetora, Acalentava o seu sonho; Banhava os pés em água de alfazema, e sorria livremente com os anjos. Lentamente o sol nascia. O dia se mostrava aos poucos com sua tímida e profunda beleza. O cheiro da manhã envolvia os seus sentidos e o seu corpo tremia inteiro.